quarta-feira, 6 de abril de 2011

Inflação no radar

Nos últimos dias temos ouvido falar repetitivamente em inflação e em taxa de juros, bem como na pressão que o governo vem sentido diante da necessidade de domar a aceleração da inflação e atingir a meta de 6,5% de crescimento ao ano.
Este tema não é novo, mas...
Ao realizar a análise dos principais indicadores econômicos somos capazes de compreender a evolução da economia, assim como obter embasamento para a tomada de decisões.
Desde 1990, o Brasil vem mantendo acuidade na manutenção de uma economia economicamente saudável, através do controle da inflação por intermédio da taxa de juros. A taxa de juros, chamada de SELIC meta, é fixada periodicamente nas reuniões do COPOM (Conselho de Política Monetária, formado por membros do Banco Central) para manter a inflação dentro dos limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional. Ela é capaz de aquecer e desaquecer a economia, gerando reflexos na inflação, esta mensurada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e calculada mensalmente pelo IBGE.
Conforme Alexandre Assaf Neto busca-se um nível ótimo de juros de uma economia, ou seja, um nível capaz de promover a redução da dívida pública e de incentivar o crescimento econômico, remunerando os investidores com uma taxa real. Esta é a meta perseguida pelo governo.
E por que manter uma inflação sob controle?
A inflação traz a perda do poder de compra do dinheiro e as temidas remarcações de preço. Quando ocorre o aumento na taxa de juros, o dinheiro em circulação diminui, assim como o crédito, de tal modo que se busca evitar ou normalizar estes efeitos.
Todavia, sabemos que a Selic também é usada como meio de compensar seus credores pelo risco de emprestar ainda mais dinheiro ao governo (títulos públicos da dívida), em função da onerosa dívida pública brasileira. E aí chegamos ao ponto crítico de um novo aumento nos juros:
Sempre que o juro sobe a dívida pública cresce, uma vez que metade da dívida pública é atrelada aos juros. Nossa dívida é alta em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) e o círculo vicioso só pode ser eliminado com cortes de gastos. Lembra-se que esta é a prioridade do nosso governo? Consequência das elevações ocorridas no ano passado e de gastos intensos efetuados.
Porém, segue uma preocupante informação suplementar: Nos três primeiros meses do ano de 2011, os gastos do governo Federal com custeio e juros foi R$ 13 bilhões a mais do que o mesmo período do ano passado, ameaça nefasta a política de austeridade.
Nossa taxa de juros anual já se encontra no maior patamar do mundo, fixada até o momento em 11,75% a.a.
Portanto, não é difícil imaginatr a forte pressão política que o BC tem sofrido. No entanto, precisará se manter fiel ao seu papel de guardião da moeda, sob risco de perder credibilidade e autonomia, seus melhores instrumentos.São estes predicados do BC que dão segurança ao mercado, embora não acreditemos que seja este o “x” da questão atual. Não cremos que o BC caiu em descrédito, mas sim o que o mercado espera ansiosamente são medidas enérgicas e iminentes vindas dele.
Deve-se manter o ciclo de aperto monetário, aumentando os juros e até mesmo restringido o crédito, para deixar claro de uma vez por todas que a inflação está fora de risco, já que as demais políticas monetárias restritivas foram usadas recentemente e não surtiram o efeito desejado, como o aumento do depósito compulsório e a emissão de novos títulos públicos (Open Market).
Infelizmente a política monetária não é uma ciência exata. Portanto, não é possível saber com precisão matemática qual a melhor estratégia a ser tomada. O que se espera, porém, do nosso Banco Central é seu compromisso em agir sempre que a inflação fugir das metas. Diante de uma inflação fortemente inclinada a subir, não será possível manter por muito tempo "vistas grossas".


Um comentário:

  1. Pra ser sincero estou um pouco confuso sobre como o governo conseguiu a "proeza" de elevar seus gastos ainda mais. Digo, cortaram os concursos públicos, elevaram os meios de arrecadação (ajustes em taxas sobre transações internacionais, etc)... Tudo isso me levaria a crer na redução de custos, não o inverso.

    Podes falar mais a respeito?

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